O DESASTRE AÉREO DE MUNIQUE

O DESASTRE AÉREO DE MUNIQUE
LOCAL DO ACIDENTE: Munique, Alemanha 🇩🇪
DATA: 06/02/1958
CLUBE VÍTIMA: Manchester United 🏴󠁧󠁢󠁥󠁮󠁧󠁿
NÚMERO DE PASSAGEIROS: 38
NÚMERO TRIPULANTES: 6
NÚMERO DE MORTOS: 23
AERONAVE: Airspeed Ambassador AS-57
OPERADOR: British European Airways
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Depois da série sobre as 15 maiores tragédias da história do futebol, passo agora a contar a história dos principais desastres aéreos, que envolveram clubes de futebol até os dias atuais. Vamos agora para a segunda tragédia. Quem quiser acompanhar basta clicar em #desastresaereoscdf .
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Nove anos depois da terrível tragédia de Superga, o mundo do futebol foi mais uma vez abalado por um desastre aéreo. Dessa vez a tragédia ocorreu em Munique, Alemanha, no dia 6 de fevereiro de 1958 e envolveu o clube inglês do Manchester United. Apesar do acidente não obter a mesma proporção do acidente do Torino, ele também foi bem grave e deixou marcas bem profundas para o clube da cidade de Manchester. Haviam 44 pessoas abordo da aeronave, das quais vinte faleceram na hora e outras três posteriormente no hospital. O background desse desastre se inicia em 1955, ano em que UEFA criou a Copa Europeia, ou UEFA Champions League, como iria ficar conhecida mais para frente. A ideia da UEFA era reunir os campeões nacionais dos países afiliados a partir da temporada 1955-56. O Chelsea, atual campeao, foi proibido de participar do torneio porque o dirigente da Liga de Futebol Inglesa era contra o envolvimento do país em competições ligadas a UEFA. Na temporada seguinte o Manchester foi o campeão inglês e ganhou vaga na competição, somente para ser notificado de que também estava proibido de ingressar no torneio. Só que ao contrário do Chelsea, o treinador Matt Busby não aceitou isso e junto com a ajuda do presidente do Manchester e do presidente da Associação de Futebol da Inglaterra, desafiou a proibição, se tornando o primeiro clube inglês a participar de uma competição continental. Apelidado de “os bebês Busby” por conta da juventude do elenco, o clube chegou até a semifinal e acabou sendo eliminado pelo Real Madrid (que acabou se sagrando campeão da competição). Na temporada seguinte os Red Devils conquistaram novamente o campeonato inglês e ganharam o direto de competir no torneio continental mais uma vez. Assim como ainda acontece, naquela época os jogos voltados para os campeonatos nacionais eram disputados durante o final de semana, enquanto as competições internacionais eram realizadas durante o meio da semana. A consequência disso era que se um clube pretendesse jogar ambas competições, então ele deveria obrigatoriamente ter que viajar de avião (meio de transporte que ainda não era tão seguro). Após eliminar o Shamrock Rovers da Irlanda e o Dukla Praga da Tchecoslováquia na fase preliminar e primeira fase respectivamente, o adversário sorteado para as quartas de final foi o Estrela Vermelha da Iugoslávia. No dia 14 de janeiro de 1958 os diabos vermelhos venceram o clube do leste europeu pelo placar de 2 a1 (jogo disputado no Old Trafford). A partida de volta estava agendada para o dia 5 de fevereiro, porém antes de avançar aqui vai uma informação bem importante: quando o Manchester estava retornando de Praga depois de enfrentar o Dulka na rodada anterior, eles tiveram sérios problemas por conta de uma forte neblina sobre a Inglaterra, então o time acabou parando em Amsterdã e de lá pegou uma embarcação para a Inglaterra e posteriormente um trem até finalmente chegar em Manchester. A viagem acabou esgotando o time que só empatou na rodada seguinte do campeonato inglês. Por esse motivo e para não deixar isso acontecer novamente, o clube acabou fretando um voo da British European Airways. Na partida de volta o empate em 3 a 3 garantiu a passagem do Manchester para a semifinal. A decolagem do aeroporto de Belgrado atrasou em uma hora depois que um dos atletas do Manchester descobriu que havia perdido seu passaporte. O avião decolou e seguiu viagem para Munique onde iria parar para reabastecimento. O avião era um Airspeed Ambassador 2, de 6 anos de idade e construído em 1952. Essa aeronave era comum em pequenas companhias aéreas da década de 50 e 60. Tanto o comandante quanto o co-piloto eram membros da Força Aérea Real e ambos possuíam grande experiência (o co-piloto inclusive tendo abatido cinco caças alemães durante a segunda guerra mundial). No voo de ida para Belgrado o comandante Thain havia pilotado e agora na volta era o co-piloto Rayment quem assumia o controle da aeronave. Às 14:19 a torre de controle do aeroporto de Munique autorizou o taxiamento do voo. Raymont abandonou o procedimento de decolagem depois que o comandante Thain notou que o instrumento de pressão do motor estava inconsistente e que o motor fazia um som bem estranho enquanto acelerava. Uma segunda tentativa de decolagem foi colocada em prática três minutos depois, mas cancelada após 40 segundos pois os motores estavam com uma mistura excessivamente rica de combustível, causando aceleração em excesso (um problema comum nesse modelo de avião). Depois que essa segunda tentativa deu errado o avião retornou para o terminal e enquanto isso tudo acontecia, começou a nevar bastante no aeroporto de Munique. Depois que todos voos foram cancelados por conta do mal tempo, um dos jogadores chegou a enviar um telegrama para sua esposa informando do imprevisto e que decolariam no dia seguinte. Porém, esqueceram que o comandante Thain estava muito determinado a cumprir sua agenda e de pousar na Inglaterra dentro do prazo planejado. O engenheiro até tentou convencer o comandante a deixar a aeronave em solo para testes e reparos, mas ele não deu ouvidos e mandou abrir o acelerador mais ainda. Isso significava na prática que a aeronave demoraria mais tempo e precisaria consequentemente de mais pista para atingir sua velocidade de rotação (velocidade necessária para ganhar sustentação e decolar). Como a pista por lá tinha quase 2 km de extensão, o piloto da força aérea estava bem confiante de que não teria problema algum e com isso mandou todos embarcarem (apenas 15 minutos antes havia solicitado que todos saíssem da aeronave). Os jogadores do Manchester embarcaram novamente com expressão de medo e insegurança estampados em seus rostos, mas não havia muitas opções havia? Alguns chegaram até a mudar de assento e se dirigiram para o “fundão” do avião acreditando que lá era mais seguro. Às 14:59 o avião estava pela terceira vez no ponto de espera da pista, prontos para tentar decolar o avião mais uma vez. A autorização foi concedida pela torre e eles alinharam o avião para o check-list final. As 15:02 eles foram informado pela torre que teriam mais dois minutos para decolar, caso contrário a autorização iria expirar. Os dois pilotos concordam em decolar e de manterem seus olhos o tempo todo direto nos instrumentos relacionados ao motor. O co-piloto avançou a manete de potência devagar e o avião começou a acelerar, até ai tudo bem. A cada 10 nós de velocidade, Thain anunciava no cockpit e quando a aeronave atingiu 85 nós o problema no motor começou a surgir novamente. O comandante imediatamente moveu a manete para trás e depois deslizou ela para frente. Quando o avião atingiu 117 nós (217km/h) o comandante anunciou “V1”, ou seja, não era possível mais abortar a decolagem a partir daquele ponto. Em seguida Rayment gritou “V2”, o que significava que haviam atingido a velocidade mínima para decolar. Thain ia só esperar a velocidade aumentar mais um pouco para levantar o manche, mas então o pesadelo começou: a velocidade ficou flutuando na casa dos 117 nós e logo em seguida caiu para 112 e 105. Ao perceber isso, o experiente co-piloto gritou o mais alto que podia “Cristo, não vamos conseguir”, enquanto isso o comandante Thain erguia sua cabeça para ver bem o horizonte e o que havia na frente deles. A aeronave chegou ao final da pista ainda bem rápida, atravessou a cerca que delimitava a área do aeroporto, atravessou uma estrada e sua asa acertou em cheio a casa de uma família composta por 6 pessoas. O pai e a filha mais velha não estavam na casa, enquanto que a mãe e os outros três filhos escaparam da casa enquanto ela pegava fogo. Boa parte da cauda estava destruída, enquanto o lado esquerdo da cabine colidiu com uma árvore. O lado esquerdo da fuselagem acertou um galpão onde se encontrava um caminhão contendo gasolina e pneus, que acabou explodindo. Vinte passageiros morreram na hora e outros três perderiam a vida no hospital. Ao ver a cabine pegando fogo, Thain estava muito preocupado que a aeronave iria explodir e por isso solicitou aos tripulantes que evecuassem a área o quanto antes. Dois tripulantes foram entao até uma das saídas de emergência e foram os primeiros a saírem do avião, seguidos pelo oficial de rádio. O co-piloto Reyment ficou preso em seu assento e pediu que o comandante evacuasse a aeronave e o deixasse ali mesmo. Thain entendeu a situação, saiu correndo pela porta de emergência e ao cair no solo viu as chamas, que já estavam bem próximas da asa contendo 2 mil e trezentos litros de combustível. Ele imediatamente começou a gritar para todos se afastarem o mais rápido possível e então retornou para dentro do avião com a intenção de pegar extintores de incêndio, inclusive aproveitando para avisar o co-piloto de que retornaria o mais breve possível assim que o fogo fosse controlado. Enquanto isso tudo acontecia, lá nos corredores o goleiro Harry Gregg estava redobrando sua consciência e acreditava estar morto. Ele sentia o sangue escorrendo de seu rosto e se recusava a colocar a mão, pois acreditava que havia perdido boa parte da sua cabeça (a tampinha de sua cabeça) e que seu cérebro estava exposto. Acima dele havia claridade, então ele chutou o buraco forte o suficiente para abrir uma abertura e foi por ali que ele escapou. Ele ainda teve tempo de salvar dois colegas de time: Bobby Charlton e Dennis Viollet. O co-piloto Reyment sobreviveu ao acidente, mas teve vários ferimentos graves e acabou falecendo no hospital cinco semanas depois devido a danos cerebrais. No total foram 21 sobreviventes e 23 mortes. Das fatalidade, 2 eram da tripulação, 8 eram jogadores, 3 eram da comissão técnica, 8 eram jornalistas, 1 da agência de viagem e o último amigo próximo ao técnico Busby. Depois do acidente uma longa e detalhada investigação foi aberta, mas antes mesmo dela ser finalizada todos apontavam a causa principal como sendo erro humano (dos comandantes no caso). Quando o resultado finalmente saiu, o relatório tratava um elavado acúmulo de slush (mistura de sujeira e neve) na pista como principal responsável pela tragédia, isentando assim o comandante Thain (único piloto a sobreviver). Apesar dessa conclusão, o aeroporto de Munique ainda tentou indiciar o comandante como responsável, uma vez que haviam fotos mostrando que ele não havia limpado as asas do avião, da camada de gelo que havia se formado ali. Com o negativo das fotos foi possível ver que aquilo era na verdade reflexo do sol e que a real causa foi de fato o slush na pista, que acabou gerando atrito e impedindo que a aeronave atingisse a velocidade necessária para a decolagem. O comandante Thain foi prontamente demitido da empresa e foi trabalhar em sua fazenda, vindo a falecer em agosto de 1953, vítima de ataque cardíaco. Existem vários memoriais em homenagem ao acidente, sendo que dois deles ficam no estádio Old Trafford: um em homenagem aos jogadores e comissão técnica, enquanto o outro lembra os jornalistas que perderam a vida na tragédia. Também existem memoriais na Alemanha: um em um subúrbio de Munique, outro no agora antigo aeroporto de Munique e um último dentro do estádio do Bayern (o Allianz Arena). Existe também um memorial em Belgrado, no hotel em que o time ficou hospedado. No aniversário de número 40 da tragédia uma homenagem foi feita no Old Trafford, onde o United enfrentou uma seleção de astros do futebol europeu e toda a renda foi revertida para a família de cada uma das vítimas. No aniversário de 50 anos do acidente, um serviço memorial foi organizado novamente no Old Trafford (06/02/2008). Ao terminar o serviço e a cerimônia, os sobreviventes remanescentes do acidente de 1958, fizeram parte da renomeação do túnel localizado do lado sul do estádio. O túnel foi renomeado como “Túnel Munique” e concentra uma exibição de fotos dos “bebês de Busby”, como o time ficou conhecido na época. No mesmo dia a Inglaterra enfrentou a Suíça e todos aqueles que perderam as suas vidas no acidente, foram mostrado no telão do estádio de Wembley. Apesar de todo trabalho da investigação, o aeroporto de Munique nunca admitiu ter errado e nunca reconheceu ser culpado pelo slush na pista. Existem vários tributos ligados a essa tragédia, sejam por meio de programa de TV, documentários, filmes e até músicas. Depois do acidente de Turim, esse foi mais um duro golpe para amantes do futebol. *Em memória das vítimas.

A Tragédia de Superga Parte I, II, III, IV e Parte Final

A TRAGÉDIA DE SUPERGA:
LOCAL DO ACIDENTE: Turim, Itália 🇮🇹
DATA: 4/5/1949
CLUBE VÍTIMA: Torino F.C 🇮🇹
NÚMERO DE PASSAGEIROS: 31
NÚMERO DE MORTOS: 31
AERONAVE: Fiat G.212 CP
OPERADOR: Avio Linee Italiane (ALI)
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Depois da série sobre as 15 maiores tragédias da história do futebol, passo agora a contar a história dos principais desastres aéreos, que envolveram clubes de futebol até os dias atuais. Quem quiser acompanhar basta clicar em #desastresaereoscdf .
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Em novembro de 2016 o mundo assistiu a uma grande tragédia no mundo esportivo: a queda da aeronave que transportava um clube da primeira divisão do futebol brasileiro. Só que aquela não era a primeira tragédia do tipo a acontecer. A partir de agora, venha comigo nessa incrível jornada por diversos cantos do mundo, onde tragédias parecidas aconteceram, devastando diversos times, torcedores e nações. Entre 1926 e 1952 o Grupo Fiat era dono de uma empresa aérea chamada Avio Linee Italiane, que acabou sendo a única companhia aérea que não havia sido nacionalizada pelo governo italiano, após o término da segunda guerra mundial. Antes de detalhar mais sobre o acidente aéreo em si, é importante que cada um de vocês entenda bem a grandeza do Torino F.C naquela época. Nas últimas décadas, o clube italiano da mesma cidade da famosa Juventus, não ganhou um título de grande importância e tem sempre terminado a Serie A nas partes inferiores ou intermediárias da tabela de classificação. Bom, se ultimamente o Torino F.C não impõe respeito, as coisas eram bem diferentes lá na década de 40. Isso porque o clube era um dos mais fortes da Itália (que já era uma potência no futebol) e sinônimo de título. Depois de conquistar o pentacampeonato Italiano de forma consecutiva, o grupo ficou conhecido como “Grande Torino” e era composto de atletas que simplesmente formavam a espinha dorsal da seleção italiana no período. Infelizmente, o time inteiro acabou morrendo em decorrência dessa tragédia e só por esse fato já explica o impacto da notícia, quando o acidente foi confirmado. Para quem gosta de aviões, saibam que esse era um tri-motor (motores eram da Alfa Romeo), produzido pela Fiat e que na verdade era uma evolução do G.12, uma aeronave fábricada para transporte de soldados durante a Segunda Guerra Mundial. Durante a década de 40, essa aeronave era utilizada por algumas companhias aéreas européias e também pela Forca Aérea da Itália, sendo considerado (pela indústria aeronáutica) um avião seguro e confiável. Naquele dia, o time estava retornando para casa depois de jogar um amistoso contra o Benfica em Lisboa. Nesse ponto, vale a pena fazermos uma pausa na história, para que eu possa explicar mais sobre um jogador do clube português (chamado Francisco Ferreira), que vocês já vão entender, teve grande papel neste acidente. O amistoso em questão, foi feito justo em homenagem a Ferreira, que era um dos melhores meias atuando na Europa naquela época e que estava sendo assediado por Real Madrid e pelo próprio Torino. O presidente do Torino na época, Ferruccio Novo, tinha assistido à derrota portuguesa frente aos italianos por 4 a 1 (no dia 27 de fevereiro de 1949) e se encantou com o futebol apresentado por Ferreira. Esse amistoso contra o Benfica, seria uma forma de tentar uma aproximação junto ao atleta e uma oportunidade para tentar contratá-lo e levá-lo para Turim. No final, para decepção de Ferruccio, Ferreira não arredou os pés de Lisboa e jogou pelo Benfica até 1952. Não preciso nem dizer, que após a notícia da tragédia com o time do Torino chegar ao seu conhecimento, Francisco passou inúmeras noites sem conseguir dormir, angustiado, deprimido e com peso na consciência. O meia português ficou tão afetado, que não parava de enviar dinheiro para a famílias das vítimas e ainda comprou uma foto do time, mandou fazer um quadro com uma moldura preta enorme e o colocou em sua sala de troféus. Além do time inteiro morrer na hora (foram 18 jogadores), ou seja, praticamente a seleção inteira da Itália, ainda tivemos entre as vítimas: membros da diretoria do clube, incluindo o diretor de futebol Ernő Egri Erbstein, um refugiado húngaro que tentava escapar dos nazistas, o treinador inglês Leslie Lievesley, membros da tripulação e três jornalistas. Para vocês terem uma noção do tamanho do impacto causado pelo acidente na seleção italiana, basta absorverem a seguinte informação: um dos principais responsáveis pela identificação dos corpos, era ninguém menos que Vittorio Pozzo, que para quem não sabe, era o treinador da seleção italiana na época. Acho que agora já ficou claro a magnitude do impacto da tragédia, para toda a Itália de forma geral. Assim como todos os acidente aéreos, sempre existem aquelas pessoas que supostamente deveriam estar no voo, mas que por algum motivo, acabam não embarcando e consequentemente dão um belo chapéu na morte. Então vamos ver agora quem foram os sortudos nesse caso: o zagueiro Sauro Tomà estava com uma lesão no menisco, o goleiro reserva Renato Gandolfi também estava sem condições de jogo e foi substituído pelo terceiro goleiro, além disso o comentarista de rádio Nicolò Carosio, o capitão do time Luigi Giuliano e o técnico da seleção italiana, Vittorio Pozzo, poderiam facilmente estar neste voo, mas por uma série de motivos acabaram não embarcando. Ah, para aqueles que estão se perguntando porque o presidente do Torino (Ferruccio Novo) não estava entre as vítimas (principalmente porque era ele o mais obcecado em contrar o português Ferreira), saibam que ele pegou uma forte gripe dias antes do voo e teve que ficar de repouso. Lisboa, dia 4 de maio de 1949, uma quarta-feira, são 9:40 da manhã e o comandante Meroni decola o Fiat tri-motor (prefixo I-ELCE) da Avio Linee Italiane em direção ao aeroporto de Barcelona. A aeronave pousa as 13:00 e enquanto é reabastecida, o time do Torino sai para almoçar com o Milan, que estava a caminho de Madrid. O piloto Pierluigi Meroni, veterano da Segunda Guerra Mundial, da a partida na aeronave e às 14:50 decola rumo à cidade de Turim. Às 16:55 o avião já está em aproximação final para pouso, quando é avisado pela Torre do aeroporto que as condições climáticas são péssimas no momento: nuvens estão praticamente tocando o solo, chuva, rajadas de vento vindo do sudoeste e pouquíssima visibilidade (40m). Neste mesmo momento, a Torre pede a posição do avião para o piloto. Após um breve silêncio, às 16:59, o piloto respondeu sua altitude, sua direção e que iria aproximar por Superga. Mas o que é “Superga”, que inclusive é como ficou conhecida essa tragédia? Superga é uma colina, que fica nos arredores de Turim e está a 700 metros acima do nível do mar. Às 17:03 o avião realizou uma curva para a esquerda, estabilizou e se alinhou para o pouso, quando simplesmente colidiu em cheio com a parte de trás da Basílica de Superga. O experiente piloto, acreditava que o morro estava bem distante à sua direita, mas de derrepente (devido às péssimas condições de visibilidade) só teve alguns segundos, quando visualizou a colina bem na sua frente. O avião estava a pelo menos 180 km/h e a visibilidade era de 40m, portanto era completamente impossível uma reação de Meroni. Os destroços não indicavam que ele sequer teve tempo de erguer o manche e a única peça que ficou parcialmente intacta, foi a cauda. Às 17:05 a torre de controle do aeroporto tentou inúmeras vezes entrar em contato, mas obviamente sem sucesso. Das 31 pessoas a bordo, ninguém sobreviveu. Mas o que realmente ocorreu? Bom, existem duas teorias: a primeira afirma que as fortíssimas rajadas de vento, fizeram com que o curso da aeronave fosse alterado e o piloto perdesse suas referências, alinhando assim com o morro de Superga e não com a pista do aeroporto. A segunda teoria, diz que o altímetro apresentou mal-funcionamento e travou a 2 mil metros, ou seja, fez com que o piloto acreditasse que a aeronave estava voando em uma altitude maior. O evento trágico comoveu não apenas a Itália, mas o mundo inteiro. A basílica que foi atingida pela aeronave, foi construída em 1731, após quatorze longos anos de intenso trabalho (incluindo a diminuição da colina em 40 metros). Até hoje, propositalmente é claro, existe uma parte da igreja que não foi reconstruída, para que todos possam se lembrar da tragédia, que marcou a cidade para sempre. Na parte de trás da basílica, onde a aeronave colidiu, foi construído um memorial e todos os anos no dia do aniversário, uma missa é celebrada no local. Quando o acidente ocorreu, prontamente todos os clubes da primeira divisão italiana protocolaram um pedido junto à Federação Italiana de Futebol, solicitando que o Torino fosse declarado campeão da temporada 1948-49 do campeonato Italiano. No dia 6 de maio, o pedido foi aceito e as últimas 4 rodadas da Serie A foram disputadas com clubes escalando atletas das categorias de base, uma forma de solidariedade pelo ocorrido com o time de Turim. No dia do funeral, quase um milhão de pessoas tomaram as ruas da cidade para homenagear as vítimas da tragédia. Assim como ocorreu no acidente da Chapecoense, na temporada seguinte alguns clubes italianos da primeira divisão doaram um atleta para ajudar na reconstrução do Torino F.C. O acidente pegou todos de surpresa e foi tão impactante, que a seleção italiana optou por fazer a viagem para o Brasil (para participar da Copa do Mundo de 1950) de navio. A tragédia é relembrada todos os anos na Itália, principalmente em Turim. Destroços da aeronave, incluindo uma hélice, um pneu, pedaços da fuselagem e malas de alguns passageiros, foram preservados e estão em exposição no museu da Grande Torino, que fica em Grugliasco (9 km a oeste do centro de Turim). O museu foi inaugurado no dia 4 de maio de 2008 (aniversário de número 57 da tragédia). Oito dos dezoito atletas (assim como dois membros da comissão técnica e um jornalista) foram enterrados no cemitério monumental de Turim. Na temporada seguinte, o clube não conseguiu manter o mesmo nível de desempenho e terminou o campeonato na modesta sexta posição. Conforme o tempo foi passando, o time foi ficando cada vez menos competitivo e eventualmente até amargou rebaixamentos. Com o tempo, o Torino acabou conseguindo se reerguer e retornar à divisão de elite italiana, feito alcançado na base de investimentos das categorias de base e reestruturação de toda diretoria. Esse foi um dos episódios mais tristes da história do futebol mundial e foi assim que o esquadrão vinho de Turim desapareceu da noite para o dia. Essa tragédia jamais foi superada pelo italianos e acabou intensificando o amor entre a população de Turim e o Torino Futebol Clube. O clube só voltou a ser campeão em 1968, quando ganhou a Copa da Itália. Que descansem em paz as vítimas dessa profunda tragédia. #torinofc