O Escândalo na Série A – Parte III

CONTINUAÇÃO…. chamada para depor, foi o técnico da seleção italiana, Marcelo Lippi. 3 semanas antes do pontapé inicial da Copa de 2006, Lippi apareceu em frente aos magistrados para responder acusações de que sua convocação, havia sido influenciada por Moggi. A alegação, era que Moggi havia pressionado o técnico para que ele convocasse poucos jogadores da Juventus, com a finalidade de que o clube não fosse prejudicado por lesões e fadigas no início de sua nova temporada. No final, dos 23 jogadores que foram a Copa, 5 eram da Juventus e outros 8 das outras equipes envolvidas no escândalo, mas ninguém foi condenado por falta de provas. Moggi, também tinha acordo com um comentarista chamado Baldas, que era uma espécie de Galvão Bueno da Itália e que certamente conseguia influenciar demais a opinião do público. No acordo, Moggi decidiria de quais árbitros Baldas iria comentar favoravelmente e quais negativamente. Em troca, Baldas ganharia acesso em primeira mão a notícias internas (sobre qualquer assunto) de dentro da Juventus. Existem várias conversas gravadas entre Moggi e o chefe da associação nacional de arbitragem, onde eles discutem quais são as melhores opções de árbitros para os próximos jogos da Juventus (quem tiver interesse pode buscar mais infos destas conversas em alguns sites da internet). Na próxima e última parte, vamos fazer uma análise sobre o ocorrido, falar sobre o veredicto final, porque este escândalo é tão polêmico e também finalizar com uma conclusão geral.
Vamos agora, detalhar as punições:
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Juventus – Rebaixada para a Serie B com 30 pontos negativos, perda do direito de disputar a Champions e perda dos 2 últimos títulos da Serie A. Após apelações, conseguiram iniciar a Serie B com 17 pontos negativos.
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Lazio e Fiorentina – Rebaixados a Serie B. Após apelações, disputaram Serie A, mas começaram com 11 e 19 pontos negativos, respectivamente. .
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Milan – Perda do direito de jogar a Champions e início na Serie A com 30 pontos negativos. Após apelações, início na Serie A com 8 pontos negativos e pôde jogar a Champions.
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Reggina e Siena – Não envolvidos diretamente no caso, mas também perderam 11 e 1 ponto, respectivamente.

O Escândalo na Série A – Parte II

Na primavera de 2006, todos os ingredientes necessários para um grande escândalo vir à tona estavam reunidos. O magistrado da cidade de Turim, abordou as autoridades da federação italiana de futebol, mas aos poucos foi se dando conta de que na verdade os próprios membros da organização, estavam implicados no esquema. O então primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, era presidente e dono do Milan, portanto não preciso nem falar que ele se manifestou contra a abertura de uma investigação pública (lembrando que o Milan era um dos 4 grandes clubes a estarem na mira da investigação). O que os magistrados fizeram então? Colocaram os materias que possuíam, a disposição da imprensa, que por sua vez tratou logo de estampar a notícia na primeira página dos jornais, espalhando ela para o mundo inteiro e fazendo com que a notícia se tornasse de fato, um escândalo de maiores proporções ainda. Volumosas, mas inconclusivas evidências obtidas a partir de escutas, mostravam o então diretor esportivo da Juventus, Luciano Moggi, se comunicando de uma maneira “exclusiva” com os responsáveis pela escala de árbitros das partidas da Serie A. A finalidade das ligações, era a de influenciar o resultados das partidas, a partir da seleção de árbitros mais favoráveis a Juventus, ou então a juízes que no caso de dúvida durante um jogo, apitaria a favor da velha senhora. As investigações mostraram uma vasta e sombria rede de ligações irrastreaveis, pagamentos secretos e propostas “a la mafia italiana”, que nenhum oficial de arbitragem ousaria recusar. O negócio era tão feio e profundo, que foi descoberto um esquema de manipulação de cartões amarelos, feito para fazer com quem jogadores-chave dos grandes times italianos estivessem suspensos na hora de enfrentar os maiores campeões da Itália. Não vou entrar em detalhes (se não iria ter que fazer mais de 4 partes), sobre os motivos do porque Moggi era um verdadeiro “Rei” dentro do futebol e de toda a política que envolve este esporte dentro da Itália. Basta vocês saberem, que para alguem comandar um esquema deste tamanho, ele precisa excercer muita influência, em muitas pessoas importantes. Uma das primeiras pessoas a ser CONTINUA……

O Escândalo na Série A – Parte I

Em 2006, o mundo inteiro ficou chocado com um dos maiores e mais profundos escândalos de corrupção da Itália e do mundo. A partir daquele ano, o campeonato italiano da Serie A ficaria manchado para sempre. O “esquema'”, envolvia alguns dos maiores clubes do país: Juventus, Milan, Fiorentina e Lazio. Sem dúvida, este caso foi um dos maiores esquemas de manipulação de resultado do século 21 e agora a página Clubes de Futebol, viaja no tempo com vocês para contar em mais detalhes, tudo que aconteceu no Calcio italiano daquele fatídico ano. Faltavam poucos dias para o início de mais um Copa do Mundo (que seria disputada na Alemanha) e o capitão da seleção italiana Fabio Cannavaro e seu colega de clube na Juventus, Trezeguet, estavam a caminho de Roma para prestarem depoimentos. Até mesmo Buffon, foi intimado e acusado de “envolvimento com apostas ilegais em partidas domésticas”. Na Copa, Trezeguet perdeu um pênalti crucial para a seleção francesa e Cannavaro acabou saindo bem na foto, levantando o troféu de futebol mais cobiçado do mundo. Os dois jogadores mal podiam imaginar, o tamanho da encrenca em que iriam se meter nos próximos meses. Claro que se olharmos hoje e nos últimos anos para a Serie A, vamos ver uma Juventus mais forte que nunca, porém a 12 anos atrás eles foram o clube, dos quatro, mais prejudicado e afetado. Os clubes envolvidos, foram condenados por “fraude esportiva” e “lesão à ética esportiva”. O esquema de manipulação de resultados, foi bastante similar ao que explodiu aqui no Brasil em 2005 e envolvia em seu núcleo o sistema inteiro de arbitragem. Tudo começou em 2004, quando duas denúncias foram feitas: a primeira, alegando que existiam jogadores da Juventus que eram “blindados” e portanto, imunes aos exames de doping e a segunda, sobre apostas ilegais e árbitros corruptos. Por conta destas sérias alegações, uma força tarefa foi então criada. Apesar das denúncias não terem muito fundamento e até de algumas delas terem se mostrado falsas, as escutas e grampos telefônicos revelaram algo muito maior: o “Calciopoli”, como o esquema seria chamado. Na próxima parte, vamos entrar mais a fundo neste chocante esquema de corrupção. #polemicascdf