Benfica 1960-1964

TIME: Sport Lisboa e Benfica
LOCAL: Lisboa, Portugal 🇵🇹
PERÍODO: 1960-1964
CONQUISTAS: Bicampeão da Liga dos Campeões (1960-61 e 1961-62), Tetracampeão do Campeonato Português (1959-60, 1960-61, 1962-63 e 1963-64) e Bicampeão da Copa de Portugal (1961-62 e 1963-64)
APELIDO: O Soberano Português .
TIME BASE: Costa Pereira, Mário João, Fernando Cruz, Germano de Figueiredo e Ângelo Martins; Mário Coluna e Domiciano Cavém; Antonio Simões, José Águas (José Torres), Eusébio e Joaquim Santana (José Augusto). TÉCNICOS: Bélla Guttmann (1960-62), Fernando Riera (1962-63) e Lajos Czeizler (1963-64)
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Depois de contar tudo sobre o timaço do Bayern de Munique chegou a hora de irmos até Lisboa, contar em mais detalhes sobre o incrível esquadrão invencível do Benfica. Essa é a história do maior e melhor time português já montado até hoje na história. Essa é a história do esquadrão de Eusébio, um legítimo esquadrão invencível que assombrou a Europa de 1960 até 1964. Quem não conhece e nunca ouviu as façanhas desse time histórico, irá certamente começar a respeitar bem mais a camisa e a história do Benfica, um dos maiores e mais tradicionais clubes do mundo. Vem comigo em mais um episódio de #esquadroesinvenciveis
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Imaginem um treinador que pensa da seguinte forma: “Se eu sou técnico, então devo vencer, mas não vencer de qualquer modo, eu preciso que meu time de um verdadeiro espetáculo e demonstre porque valeu a pena cada centavo gasto pelos torcedores que vieram ao estádio”. Pois esse treinador existiu e seu nome era Bélla Guttmann, um húngaro que fez história ao se tornar o responsável por montar o décimo primeiro maior time da história do futebol mundial e o maior time de Portugal em 1960. Essa filosofia dele, aplicada com um sistema de jogo no 4-4-2 ou na formação 5-5 (cinco atacantes) fez as águias alcançarem quatro finais européias em 7 anos (1959-1968) vencendo as edições de 1961 e 1962. Se dominaram a Europa com facilidade imaginem o seu país: foram sete títulos do campeonato português entre 1960 and 1968. Isso sem contar mais 2 Copas de Portugal. Esse foi certamente o auge do Benfica na história e tudo isso graças a um tal de Eusébio. O sucesso do time nos dois primeiros anos fizeram o clube ganhar o apelido de “Glorioso Benfica” e o jogador escolhido para representar todas as conquistas desse esquadrão era sem dúvida Eusébio. Além de Eusébio, o jogador mais influente do time, Mario Coluna, também era de Moçambique. Conhecido por “monstro sagrado”, Coluna se tornou um meia moderno completo, um estrategista mestre com chute de perna esquerda explosivo e fatal. Por maior que Eusébio fosse, ele não conseguiu ajudar o seu clube a conquistar a Liga dos Campeões de 1963, quando o Benfica perdeu a final para o Milan de Gino Pivatelli que lesionou Coluna. Eusébio era espetacular, um jogador absolutamente fora da curva, um perna direita que mais parecia um martelo, uma técnica impecável e movimentos extremamente inteligentes com e sem as bolas nos pés. Com todo esse brilhantismo é claro que ele ganhou diversos apelidos: Pantera Negra, O Pelé da Europa e O Rei para citar alguns exemplos. Quem analisa futebol e quem teve o privilégio de assistir esse time jogar, sabe que mesmo com Eusébio e Coluna o time não teria alcançado toda essa glória se não fosse pela qualidade do goleiro Costa Pereira, ponta Joaquim Santana e atacante José Aguas. Foi utilizando a espinha dorsal desse grande time que Portugal conseguiu montar a seleção que terminaria a Copa do Mundo de 1966 em terceiro lugar. Também foi esse time que acabou com o domínio do Real Madrid, que desde 1955 conquistava todos os anos o campeonato continental recém criado (Liga dos Campeões da UEFA). Na Liga dos Campeões de 1960-61 o Benfica estreou contra o Hearts da Escócia e venceu o Ujpest da Hungria na segunda fase. Nas quartas de final venceu o AGF da Dinamarca e na semifinal despachou o Rapid Viena da Áustria. A final da Liga dos Campeões foi jogada na Suíça contra o Barcelona, que na época tinha grandes jogadores como por exemplo Kubala, Evaristo de Macedo e Luís Suarez. Essa foi a primeira final da Liga dos Campeões sem a presença do Real e o mundo ansiava para saber se o título permaneceria na Espanha ou se iria para um clube de outro país. Depois de 5 gols o placar final mostrava 3 para o Benfica e 2 para o Barça. Com a vitória o título europeu finalmente deixava a Espanha e agora era português, era do Benfica. Esse importantíssimo título era reflexo do amplo domínio do clube no campeonato português das últimas temporadas e também do primoroso trabalho do técnico Béla Guttmann. Durante todas essas temporadas o Benfica literalmente não se importava em tomar gols, isso graças ao seu imenso poderio ofensivo e a facilidade que os atacantes tinham em marcar gols, tanto que na conquista do velho continente o artilheiro da competição foi José Águas com 11 gols. Agora que o título europeu estava na mão o objetivo era o Mundial. O adversário? Os uruguaios do Peñarol. Na época o Uruguai era uma verdadeira potência e os atuais vice-campeões do mundo. No jogo de ida em Portugal vitória dos mandantes por 1 a 0 e na volta um verdadeiro massacre imposto pelos sul-americanos: 5 a 0. Na 3 partida, também realizada no Uruguai nova vitória do Penarol por 2 a 1. A derrota doeu bastante, mas não abalou o time por muito tempo. A resposta veio com novas conquistas na temporada seguinte. Só um detalhe importante: por conta de burocracia referente a sua contratação, Eusébio não disputou a maior parte das partidas nessa temporada, inclusive só tendo atuado na terceira e decisiva partida da decisão da Champions. Na Liga dos Campeões seguinte o Benfica estreou contra o Áustria Vienna nas oitavas e tomou um grande susto quando perderam por 3 a 1 para o Nuremberg no jogo de ida das quartas. Na volta um resultado que mostrou o tamanho do potencial desse esquadrão: 6 a 0! Na semifinal o adversário foi o Tottenham e o clube conseguiu alcançar sua segunda final de Champions seguida. A final seria contra ninguém menos que o Real em partida a ser realizada em Amsterdã. Essa foi uma das melhores finais da competição até hoje. O Real contava com remanescentes do pentacampeonato europeu (Puskas e Di Stefano entre eles). A partida foi 5 a 3 para o Benfica que consquistava assim seu bicampeonato europeu. O treinador Guttmann com todas essas conquistas pediu um aumento, que foi prontamente negado fazendo-o abandonar o clube. Antes de ir ele proferiu: “nos próximos 100 o Benfica não voltará a ser campeão europeu”. Na verdade a frase de Guttmann acabou sendo vista como uma “maldição” jogada ao clube, uma maldição que ninguém na época levou a sério. O problema é que daquele dia até hoje o Benfica de fato nunca mais conquistou uma competição continental. Depois da frase foram oito finais mas também oito derrotas (cinco da Liga dos Campeões e três da Copa da UEFA). Em 1962 todas as atenções estavam voltadas para a disputa de mais um Mundial e dessa vez o adversário não viria do Uruguai, mas do Brasil. O Santos tinha na época um time tão forte quanto o próprio Benfica e se os portugueses contavam com Eusébio então os brasileiro tinham “só” o Pelé. O jogo de ida foi disputado em um Maracanã com público estimado em mais de 90 mil torcedores e o placar no final da partida mostrava 3 para os mandantes e 2 para os visitantes. Os portugueses estavam bem confiantes para a partida de volta no Estádio da Luz em Lisboa, tanto que os ingressos acabaram quase que instantaneamente, além dos ingressos da terceira partida já estarem prontos para comercialização (sendo que só haveria terceira partida em caso de vitória deles). Só esqueceram de combinar com o Santos. Com Pelé, Pepe, Coutinho e companhia o time da Vila não deu a menor chance para os portugueses e impuseram um ritmo de jogo inacreditável. O resultado só poderia ter sido um novo massacre e a segunda goleada em mundiais que o Benfica tomava, ou seja, um novo 5 a 2 dessa vez para o Santos. Nunca mais o Benfica disputaria o Mundial. O clube continuou seu amplo domínio em Portugal, inclusive conquistando o campeonato português de 1962-63 e também chegou mais uma vez na final da Liga dos Campeões. Essa era a terceira final seguida do principal torneio europeu para eles e deveria significar o tricampeonato europeu nessa altura, mas o adversário era o Milan e a maldição imposta por Guttmann. Resultado: mais uma derrotada dessa vez de virada. Acabava assim mais um esquadrão invencível. O time ainda fechou a série com uma campanha excepcional no campeonato português de 1963-64, quando venceram 21 vezes, empataram 4 e só perderam 1 jogo (marcando mais de 100 gols), além de terem conquistado a Copa de Portugal aplicando 6 a 2 no Porto.

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