A Tragédia de Superga Parte I, II, III, IV e Parte Final

A TRAGÉDIA DE SUPERGA:
LOCAL DO ACIDENTE: Turim, Itália 🇮🇹
DATA: 4/5/1949
CLUBE VÍTIMA: Torino F.C 🇮🇹
NÚMERO DE PASSAGEIROS: 31
NÚMERO DE MORTOS: 31
AERONAVE: Fiat G.212 CP
OPERADOR: Avio Linee Italiane (ALI)
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Depois da série sobre as 15 maiores tragédias da história do futebol, passo agora a contar a história dos principais desastres aéreos, que envolveram clubes de futebol até os dias atuais. Quem quiser acompanhar basta clicar em #desastresaereoscdf .
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Em novembro de 2016 o mundo assistiu a uma grande tragédia no mundo esportivo: a queda da aeronave que transportava um clube da primeira divisão do futebol brasileiro. Só que aquela não era a primeira tragédia do tipo a acontecer. A partir de agora, venha comigo nessa incrível jornada por diversos cantos do mundo, onde tragédias parecidas aconteceram, devastando diversos times, torcedores e nações. Entre 1926 e 1952 o Grupo Fiat era dono de uma empresa aérea chamada Avio Linee Italiane, que acabou sendo a única companhia aérea que não havia sido nacionalizada pelo governo italiano, após o término da segunda guerra mundial. Antes de detalhar mais sobre o acidente aéreo em si, é importante que cada um de vocês entenda bem a grandeza do Torino F.C naquela época. Nas últimas décadas, o clube italiano da mesma cidade da famosa Juventus, não ganhou um título de grande importância e tem sempre terminado a Serie A nas partes inferiores ou intermediárias da tabela de classificação. Bom, se ultimamente o Torino F.C não impõe respeito, as coisas eram bem diferentes lá na década de 40. Isso porque o clube era um dos mais fortes da Itália (que já era uma potência no futebol) e sinônimo de título. Depois de conquistar o pentacampeonato Italiano de forma consecutiva, o grupo ficou conhecido como “Grande Torino” e era composto de atletas que simplesmente formavam a espinha dorsal da seleção italiana no período. Infelizmente, o time inteiro acabou morrendo em decorrência dessa tragédia e só por esse fato já explica o impacto da notícia, quando o acidente foi confirmado. Para quem gosta de aviões, saibam que esse era um tri-motor (motores eram da Alfa Romeo), produzido pela Fiat e que na verdade era uma evolução do G.12, uma aeronave fábricada para transporte de soldados durante a Segunda Guerra Mundial. Durante a década de 40, essa aeronave era utilizada por algumas companhias aéreas européias e também pela Forca Aérea da Itália, sendo considerado (pela indústria aeronáutica) um avião seguro e confiável. Naquele dia, o time estava retornando para casa depois de jogar um amistoso contra o Benfica em Lisboa. Nesse ponto, vale a pena fazermos uma pausa na história, para que eu possa explicar mais sobre um jogador do clube português (chamado Francisco Ferreira), que vocês já vão entender, teve grande papel neste acidente. O amistoso em questão, foi feito justo em homenagem a Ferreira, que era um dos melhores meias atuando na Europa naquela época e que estava sendo assediado por Real Madrid e pelo próprio Torino. O presidente do Torino na época, Ferruccio Novo, tinha assistido à derrota portuguesa frente aos italianos por 4 a 1 (no dia 27 de fevereiro de 1949) e se encantou com o futebol apresentado por Ferreira. Esse amistoso contra o Benfica, seria uma forma de tentar uma aproximação junto ao atleta e uma oportunidade para tentar contratá-lo e levá-lo para Turim. No final, para decepção de Ferruccio, Ferreira não arredou os pés de Lisboa e jogou pelo Benfica até 1952. Não preciso nem dizer, que após a notícia da tragédia com o time do Torino chegar ao seu conhecimento, Francisco passou inúmeras noites sem conseguir dormir, angustiado, deprimido e com peso na consciência. O meia português ficou tão afetado, que não parava de enviar dinheiro para a famílias das vítimas e ainda comprou uma foto do time, mandou fazer um quadro com uma moldura preta enorme e o colocou em sua sala de troféus. Além do time inteiro morrer na hora (foram 18 jogadores), ou seja, praticamente a seleção inteira da Itália, ainda tivemos entre as vítimas: membros da diretoria do clube, incluindo o diretor de futebol Ernő Egri Erbstein, um refugiado húngaro que tentava escapar dos nazistas, o treinador inglês Leslie Lievesley, membros da tripulação e três jornalistas. Para vocês terem uma noção do tamanho do impacto causado pelo acidente na seleção italiana, basta absorverem a seguinte informação: um dos principais responsáveis pela identificação dos corpos, era ninguém menos que Vittorio Pozzo, que para quem não sabe, era o treinador da seleção italiana na época. Acho que agora já ficou claro a magnitude do impacto da tragédia, para toda a Itália de forma geral. Assim como todos os acidente aéreos, sempre existem aquelas pessoas que supostamente deveriam estar no voo, mas que por algum motivo, acabam não embarcando e consequentemente dão um belo chapéu na morte. Então vamos ver agora quem foram os sortudos nesse caso: o zagueiro Sauro Tomà estava com uma lesão no menisco, o goleiro reserva Renato Gandolfi também estava sem condições de jogo e foi substituído pelo terceiro goleiro, além disso o comentarista de rádio Nicolò Carosio, o capitão do time Luigi Giuliano e o técnico da seleção italiana, Vittorio Pozzo, poderiam facilmente estar neste voo, mas por uma série de motivos acabaram não embarcando. Ah, para aqueles que estão se perguntando porque o presidente do Torino (Ferruccio Novo) não estava entre as vítimas (principalmente porque era ele o mais obcecado em contrar o português Ferreira), saibam que ele pegou uma forte gripe dias antes do voo e teve que ficar de repouso. Lisboa, dia 4 de maio de 1949, uma quarta-feira, são 9:40 da manhã e o comandante Meroni decola o Fiat tri-motor (prefixo I-ELCE) da Avio Linee Italiane em direção ao aeroporto de Barcelona. A aeronave pousa as 13:00 e enquanto é reabastecida, o time do Torino sai para almoçar com o Milan, que estava a caminho de Madrid. O piloto Pierluigi Meroni, veterano da Segunda Guerra Mundial, da a partida na aeronave e às 14:50 decola rumo à cidade de Turim. Às 16:55 o avião já está em aproximação final para pouso, quando é avisado pela Torre do aeroporto que as condições climáticas são péssimas no momento: nuvens estão praticamente tocando o solo, chuva, rajadas de vento vindo do sudoeste e pouquíssima visibilidade (40m). Neste mesmo momento, a Torre pede a posição do avião para o piloto. Após um breve silêncio, às 16:59, o piloto respondeu sua altitude, sua direção e que iria aproximar por Superga. Mas o que é “Superga”, que inclusive é como ficou conhecida essa tragédia? Superga é uma colina, que fica nos arredores de Turim e está a 700 metros acima do nível do mar. Às 17:03 o avião realizou uma curva para a esquerda, estabilizou e se alinhou para o pouso, quando simplesmente colidiu em cheio com a parte de trás da Basílica de Superga. O experiente piloto, acreditava que o morro estava bem distante à sua direita, mas de derrepente (devido às péssimas condições de visibilidade) só teve alguns segundos, quando visualizou a colina bem na sua frente. O avião estava a pelo menos 180 km/h e a visibilidade era de 40m, portanto era completamente impossível uma reação de Meroni. Os destroços não indicavam que ele sequer teve tempo de erguer o manche e a única peça que ficou parcialmente intacta, foi a cauda. Às 17:05 a torre de controle do aeroporto tentou inúmeras vezes entrar em contato, mas obviamente sem sucesso. Das 31 pessoas a bordo, ninguém sobreviveu. Mas o que realmente ocorreu? Bom, existem duas teorias: a primeira afirma que as fortíssimas rajadas de vento, fizeram com que o curso da aeronave fosse alterado e o piloto perdesse suas referências, alinhando assim com o morro de Superga e não com a pista do aeroporto. A segunda teoria, diz que o altímetro apresentou mal-funcionamento e travou a 2 mil metros, ou seja, fez com que o piloto acreditasse que a aeronave estava voando em uma altitude maior. O evento trágico comoveu não apenas a Itália, mas o mundo inteiro. A basílica que foi atingida pela aeronave, foi construída em 1731, após quatorze longos anos de intenso trabalho (incluindo a diminuição da colina em 40 metros). Até hoje, propositalmente é claro, existe uma parte da igreja que não foi reconstruída, para que todos possam se lembrar da tragédia, que marcou a cidade para sempre. Na parte de trás da basílica, onde a aeronave colidiu, foi construído um memorial e todos os anos no dia do aniversário, uma missa é celebrada no local. Quando o acidente ocorreu, prontamente todos os clubes da primeira divisão italiana protocolaram um pedido junto à Federação Italiana de Futebol, solicitando que o Torino fosse declarado campeão da temporada 1948-49 do campeonato Italiano. No dia 6 de maio, o pedido foi aceito e as últimas 4 rodadas da Serie A foram disputadas com clubes escalando atletas das categorias de base, uma forma de solidariedade pelo ocorrido com o time de Turim. No dia do funeral, quase um milhão de pessoas tomaram as ruas da cidade para homenagear as vítimas da tragédia. Assim como ocorreu no acidente da Chapecoense, na temporada seguinte alguns clubes italianos da primeira divisão doaram um atleta para ajudar na reconstrução do Torino F.C. O acidente pegou todos de surpresa e foi tão impactante, que a seleção italiana optou por fazer a viagem para o Brasil (para participar da Copa do Mundo de 1950) de navio. A tragédia é relembrada todos os anos na Itália, principalmente em Turim. Destroços da aeronave, incluindo uma hélice, um pneu, pedaços da fuselagem e malas de alguns passageiros, foram preservados e estão em exposição no museu da Grande Torino, que fica em Grugliasco (9 km a oeste do centro de Turim). O museu foi inaugurado no dia 4 de maio de 2008 (aniversário de número 57 da tragédia). Oito dos dezoito atletas (assim como dois membros da comissão técnica e um jornalista) foram enterrados no cemitério monumental de Turim. Na temporada seguinte, o clube não conseguiu manter o mesmo nível de desempenho e terminou o campeonato na modesta sexta posição. Conforme o tempo foi passando, o time foi ficando cada vez menos competitivo e eventualmente até amargou rebaixamentos. Com o tempo, o Torino acabou conseguindo se reerguer e retornar à divisão de elite italiana, feito alcançado na base de investimentos das categorias de base e reestruturação de toda diretoria. Esse foi um dos episódios mais tristes da história do futebol mundial e foi assim que o esquadrão vinho de Turim desapareceu da noite para o dia. Essa tragédia jamais foi superada pelo italianos e acabou intensificando o amor entre a população de Turim e o Torino Futebol Clube. O clube só voltou a ser campeão em 1968, quando ganhou a Copa da Itália. Que descansem em paz as vítimas dessa profunda tragédia. #torinofc

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